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CANCRO DA PELE (Portugal) / CÂNCER DE PELE (Brasil)


1. Introdução

2. Tipos mais frequentes de Cancro de Pele.

3. Basalioma ou carcinoma baso-celular

4. Carcinoma espino-celular

5. Melanoma maligno

6. Sinais de Alarme

7. Factores de Risco

8-Sinais e risco de melanoma

9-Outros tumores da pele

 

1. Introdução

Cancro da pele é o tipo de cancro mais frequente nos indivíduos de raça branca (caucasiana). A sua incidência tem vindo a aumentar progressivamente desde meados dos anos 60. A exposição excessiva ao sol é considerada a causa mais frequente de cancro da pele (cerca de 90% dos casos). O cancro da pele tem elevadas taxas de cura quando diagnosticado e tratado nas fases iniciais.

 

2. Tipos mais frequentes de cancro de pele

  Os tipos de cancro da pele mais frequentes são:

  • Basalioma ou Carcinoma Baso-Celular.
  • Carcinoma Espino-Celular ou Pavimento-Celular.
  • Melanoma Maligno.

 

3. O Basalioma ou carcinoma baso-celular

É o tipo de cancro cutâneo mais vulgar. Tem origem nas células da camada basal da epiderme e atinge sobretudo as pessoas de pele clara que se expõem regularmente ao sol: trabalhadores rurais, pescadores, trabalhadores da construção civil, etc. Surge habitualmente depois da 4ª. década de vida e localiza-se preferencialmente nas áreas do corpo mais expostas ao sol: face, pescoço e dorso. Pode manifestar-se sob a forma de um nódulo rosado e brilhante de crescimento lento ou de uma ferida superficial, que surge sem causa aparente, e que não revela tendência para a cura espontânea.

O Basalioma é um tumor apenas localmente invasivo, com tendência para recidivar, mas que não dá lesões à distância (metástases).

O tratamento, nas fases iniciais, é muito simples (cirurgia, criocirurugia, laser) e resulta quase sempre na cura do tumor (taxas de cura superiores a 95%). Todavia, se for deixado evoluir sem tratamento pode tornar-se muito agressivo, invadindo os tecidos circundantes e provocar grandes defeitos e mutilações sobretudo em certas áreas anatómicas (nariz, pavilhões auriculares, pálpebras, etc.). Mesmo nestas fases é muitas vezes possível curar o tumor recorrendo à cirurgia e à radioterapia. Só que o doente pode ficar desfigurado para o resto da vida.

4. O Carcinoma espino-celular

É o segundo tipo de cancro da pele mais frequente. Tem origem nas células das camadas intermédia do epitélio pavimentoso estratificado que forma a epiderme (camada espinhosa). Atinge igualmente os grupos profissionais que estão cronicamente expostos ao sol, mas de grupos etários mais avançados que no caso do basalioma.

É o cancro das pessoas idosas com a pele muito envelhecida pelo sol. Surge nas áreas do corpo mais expostas (face, pescoço, dorso das mãos e pernas) e quase sempre sobre lesões precursoras pré-existentes (pré-cancerosas). Na maior parte dos casos surge sobre as chamadas queratoses solares, ou actínicas; mas também pode originar-se a partir de cicatrizes viciosas pós-queimadura, úlceras e fístulas crónicas, ou em pessoas que estiveram muito tempo em contacto com agentes carcinogénicos (tabaco, raios x, arsénico, alcatrão e derivados).

O carcinoma espinocelular é um tumor mais agressivo e de crescimento mais rápido que o basalioma. Manifesta-se habitualmente sob a forma de um nódulo, de crescimento rápido, com tendência para ulcerar e sangrar facilmente. Além de ser localmente invasivo pode, abandonado à sua evolução natural, dar origem a metástases à distância, que podem invadir órgãos vitais e provocar a morte. Todavia, quando diagnosticado e tratado a tempo tem elevadas probabilidades de cura.

5. O Melanoma

É o cancro da pele mais perigoso e um dos tumores malignos mais agressivos da espécie humana. Origina-se a partir dos melanócitos da epiderme, células responsáveis pelo fabrico do pigmento natural (melanina) que dá a cor bronzeada à pele. Atinge grupos etários mais jovens que o basalioma e o carcinoma espinocelular.

Ao contrário dos tumores anteriores, que estão relacionados com a exposição crónica ao sol, o melanoma maligno parece estar mais associado à exposição solar intermitente, aguda e intempestiva, muitas vezes acompanhada de queimaduras solares ("escaldões").

O melanoma maligno pode surgir sobre pele aparentemente sã, em qualquer parte do corpo, ou sobre sinais pré-existentes (nevos pigmentados). As pessoas mais afectadas são as de pele clara, com cabelo ruivo ou loiro, olhos azuis ou esverdeados, dificuldade em bronzear, tendência para formar sardas e com muitos sinais de cor castanho-escuro disseminados pelo corpo.O aspecto inicial do melanoma é variado mas habitualmente caracteriza-se pelo aparecimento de um pequeno nódulo ou mancha, de cor negra de alcatrão, sobre pele aparentemente sã ou sobre um sinal preexistente. Tem uma fase precoce de crescimento superficial (fase de crescimento horizontal) que pode durar meses, ou até anos, e uma fase mais tardia de crescimento em profundidade (fase de crescimento vertical).

O tratamento é quase sempre cirúrgico e, quando efectuado nas fases iniciais, em que o tumor ainda e muito fino (espessura inferior a 0,5mm), acompanha-se de elevadas taxas de cura. Todavia quando o tumor já é muito espesso (espessura superior a 4mm) as probabilidades de cura ficam drasticamente reduzidas, existindo o risco eminente de metastização à distância.

O diagnóstico precoce é pois fundamental!

6. Sinais de Alarme em relação ao melanoma

Eis alguns sinais de alarme que podem indiciar o aparecimento de um melanoma:

1-Aparecimento recente de um sinal de cor negra em pele aparentemente sã.

2-Modificação de um sinal já existente:

·         Alteração do tamanho (crescimento recente).

·         Alteração da forma (contorno irregular).

·         Alteração da cor (variada: negra, castanha, rosada).

·         Aparecimento de prurido (comichão).

·         Aparecimento de inflamação (vermelhidão).

·         Aparecimento de ulceração (ferida).

·         Aparecimento de hemorragia (sangra facilmente).

7. Factores de risco

Factores de risco associados a maior probabilidade de desenvolver um melanoma:

  • Pele clara e sardenta.
  • Cabelo ruivo ou loiro.
  • Olhos azuis ou esverdeados.
  • Queimadura solar fácil; bronzeamento difícil.
  • Antecedentes de queimadura solar.
  • Exposição irregular e intermitente ao sol.
  • Muitos sinais (nevos) espalhados pelo corpo (ver adiante).
  • Antecedentes de melanoma em familiares.

 8 – Sinais e risco de melanoma

A maioria esmagadora dos sinais (nevos), quer de nascença, quer adquiridos, são completamente inofensivos. Todavia existem alguns, com aspecto particular (nevos atípicos) que podem indicar um maior risco de vir a ter um melanoma. Eis algumas características que podem ajudar a distinguir os nevos vulgares e inofensivos dos nevos atípicos, potencialmente precursores do melanoma:

- NEVOS ATÍPICOS: Assimétricos, Bordo irregular, Cor não uniforme, Diâmetro superior a 6 mm

- NEVOS VULGARES: Simétricos, Bordo regular, Cor castanha uniforme,

Diâmetro inferior a 6 mm

 

As pessoas com muitos sinais são aconselhadas a fazer o auto-exame da pele cerca de uma vez por mês e, em caso, de dúvida, a ir à Consulta de Dermatologia mais próxima.

9. Outros tumores da pele

Além dos tumores atrás referidos existe uma enorme variedade de outros tumores cutâneos malignos, muito menos frequentes, e cuja origem não parece estar relacionada com a exposição solar.

Desse conjunto heterogéneo importa salientar os linfomas cutâneos e o sarcoma de Kaposi.

LINFOMAS CUTÂNEOS

São neoplasias do sistema linfático que se manifestam primariamente ao nível da pele e cuja causa ainda é desconhecida. Existem duas formas essenciais:

a) Linfomas Cutâneos de Células - T, cuja forma clínica clássica se designa "micose fungóide" devido ao aspecto característico, semelhante a cogumelos, de alguns tumores.

b) Linfomas Cutâneos de Células – B, são habitualmente linfomas de baixo grau de malignidade, embora os Linfomas-B sejam regra geral mais agressivos que os Linfomas-T. O tratamento varia consoante o estádio, mais ou menos avançado em que se encontra a doença; inclui habitualmente a fotoquimioterapia (exposição aos raios ultravioletas após ingestão de um medicamento fotosensibilizante), a imunoterapia com interferão, a radioterapia e a quimioterapia. Podem obter-se remissões prolongadas (meses ou anos) mas os intervalos livres de doença vão-se encurtando progressivamente até se chegar a uma fase em que a neoplasia se torna praticamente incontrolável.

SARCOMA DE KAPOSI

É uma neoplasia que atinge inicialmente a pele e mucosas, sob a forma de múltiplas manchas e nódulos de cor vermelho violáceo. Era até há pouco tempo uma doença relativamente rara, que atingia sobretudo os membros inferiores dos homens a partir dos 50 anos, e se circunscrevia aos países da bacia mediterrânea e a África, onde existe de forma endémica. Todavia, com o advento da síndroma da imunodeficiência adquirida (SIDA) a sua incidência aumentou de forma exponencial, precisamente por surgir com grande frequência nos doentes com SIDA. Todavia, enquanto que na forma clássica a evolução da doença é relativamente arrastada e de bom prognóstico, na forma associada ao SIDA a evolução é muito mais rápida e agressiva. As lesões, quando bem circunscritas, cedem bem à radioterapia; nas formas avançadas é necessário recorrer à quimioterapia. Estudos recentes parecem apontar o vírus do Herpes simples tipo 8 (HSV-8) com o provável agente causador do sarcoma de Kaposi.