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Artrite Reumatóide


É uma doença inflamatória das articulações que limita as actividades diárias. Tem uma evolução imprevisível e o seu tratamento é difícil.

Artrite reumatóide é uma doença sistémica, caracterizada pela inflamação das articulações (artrite), e que paulatinamente pode levar a incapacitação funcional dos pacientes acometidos.

A origem desta doença é uma alteração do sistema imunológico, ou seja, tem etiologia auto-imune e atinge proteínas próprias localizadas nas articulações. Também por ser sistémica. A doença apresenta manifestações extra-articulares, tais como pulmão, pele, artérias e coração.

A primeira descrição sobre esta patologia foi em 1800 por Landré Beauvais.

Epidemiologia

A artrite reumatóide é uma doença mais comum em mulheres, de três a cinco vezes mais do que em homens. A ocorrência é de 1 a 2% na população geral. Tem seu pico de incidência entre 35 e 55 anos. Tem como factor de risco a história familiar e maior prevalência em indivíduos com HLA-DR4.

Etiopatogenia

Sua etiologia ainda é desconhecida, mas a hipótese de ter relação com factores auto-imunes é considerada. As células imunológicas entram nos tecidos, e no líquido sinovial há um intenso processo inflamatório, produzindo muitas substâncias tais como enzimas, citocinas e anticorpos. Há uma teoria de que a artrite reumatóide pode ser desencadeada por infecção, mas ainda não existem comprovações sobre isto.

Quadro clínico

Frequentemente acomete inúmeras articulações tais como punhos, mãos, cotovelos, ombros, pescoço.

Geralmente simétrica, estas articulações apresentam sinais flogísticos intensos, tais como edema, calor, rubor e dor, rigidez matinal.

Na articulação também pode ocorrer deformidades, crepitações e limitações de movimento permanentes.

Os sintomas extra articulares são anemia, cansaço extremo, perda de apetite, perda de peso, pericardite, pleurite e nódulos subcutâneos.

Critérios diagnósticos

De acordo com o colégio americano de Reumatologia:

·         rigidez matinal, ou seja, dificuldade de movimentação por pelo menos uma hora ao amanhecer;

·         artrite de três ou mais áreas, com sinais inflamatórios relatados acima;

·         artrite de articulações das mãos;

·         nódulos reumatóides;

·         factor reumatóide sérico;

·         alterações radiográficas, tais como, erosões ou descalcificações em punho e mãos.

Os primeiros quatro critérios têm que estar presente em seis semanas, e para se caracterizar artrite reumatóide tem que haver 4 critérios dos sete. Aqueles pacientes que apresentam dois ou três critérios são excluídos da artrite reumatóide no momento, mas devem ser seguidos pois poderão desenvolver a longo prazo.

Factores relacionados a mau prognóstico

·         Idade precoce de início;

·         Altos títulos de factor reumatóide;

·         Provas de função inflamatória elevadas persistentemente;

·         Artrite em mais de vinte articulações;

·         Comprometimento extra-articular: nódulos reumatóides, síndrome de Sjogren, episclerite, esclerite, doença pulmonar intersticial,pericardite, vasculite sistêmica.

·         erosões vistas ao raio-x nos dois primeiros anos da doença.

Tratamento

Clínico

Este deve ser instituído precocemente para impedir a atividade da doença e consequentemente as deformidades permanentes.

Os objectivos do tratamento devem ser: prevenir lesão articular, melhorar qualidade de vida e diminuir a dor, muito dificilmente se consegue que o quadro entre em remissão total.

A reabilitação funcional deve estar presente desde o início do tratamento, com ajuda multi-profissional, tais como fisioterapeuta, e terapeuta ocupacional.

O tratamento medicamentosos baseia-se em sintomáticos (melhorar sintomas) e as drogas que modificam o curso da doença. Com relação aos primeiros podemos citar os antiinflamatórios não hormonais e os corticóides, já no segundo caso podemos citar hidroxicloroquina,cloroquina, sulfasalazina, metotrexato, leflunomide, azatioprina e ciclosporina.

Cirúrgico

Os tipos de cirurgia indicadas para a artrite reumatóide são: artroplastia, artrodese, debridamento articular e ressecção artroplástica, sinovectomia (retirada da sinóvia). A opção por tratamento cirúrgico deve ser feita somente em casos em que há limitação importante do movimento sem melhora nenhuma com tratamento clínico.