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Anemia


A anemia é uma anomalia caracterizada pela diminuição da concentração da hemoglobina dentro das hemácias, intraeritrocitária, e pela redução na quantidade de hemácias no sangue. Isso resulta em uma redução da capacidade do sangue em transportar o oxigénio aos tecidos. A hemoglobina, uma proteína presente nas hemácias, é responsável pelo transporte de oxigénio dos pulmões para os demais órgãos e tecidos e de dióxido de carbono destes para ser eliminado pelo pulmão.

Sinais e sintomas

São variáveis mas os mais comuns são fadiga, fraqueza, palidez (principalmente ao nível das conjuntivas), défice de concentração ou vertigens. Nos quadros mais severos podem aparecer taquicardia, palpitações. Afecta também a gengiva (causando, em casos mais graves, o seu sangramento).

Causas da Anemia

Hemoglobina em 3D

·         Genéticas:

 

o        Hemoglobinopatias, sendo as mais comuns hemoglobinopatias S (doença falciforme), C, E e D

o        Síndromes Talassêmicas (talassemia alfa ou beta)

o        Defeitos na membrana da hemácia: eliptocitose e esferocitose

o        Anormalidades enzimáticas: deficiência em glucose-6-fosfato desidrogenase

o        Abetaproteinemia

o        Anemia de Fanconi

·         Nutricionais:

 

o        Deficiência de ferro (Anemia Ferropriva)

o        Deficiência de vitamina B12 (Anemia perniciosa)

o        Deficiência de folato (Anemia megaloblástica)

·         Perda de sangue:

 

o        Hemorragia excessiva por acidentes, cirurgia, parto

o        Sangramento crónico por sangramentos causados em casos de úlcera, cancro intestinal, ciclo menstrual excessivo, sangramento nasal recorrente (epistaxes), sangramento por hemorróidas

·         Imunológicas: mediadas por anticorpos

 

Hemácias falcizadas em portador de anemia falciforme

·         Efeitos Físicos:

 

o        Traumas

o        Queimaduras

·         Uso de medicamentos e exposição a produtos químicos:

 

o        Anemia aplásica

o        Anemia megaloblástica

·         Doenças Crónicas:

 

o        Uremia

o        Hipotireoidismo

o        Hepatite

o        Doença Renal (provocando problemas na síntese de eritropoietina)

o        Neoplasias

o        Infecções: Virais: hepatite, Aids, Mononucleose, Citomegalovírus; Bacterianas: septicemia ; Protozoários: Malária, Toxoplasmose, Leishmaniose

Classificação

De acordo com o tamanho das hemácias

As anemias podem ser classificadas de acordo com o tamanho das hemácias visualizadas no hemograma ou analisando o volume corposcular médio (VCM) já que o tamanho das hemácias reflecte neste índice hematimétrico. Em um adulto, o VCM fica entre 80 a 100 fl. Portanto é possível classificar como anemia normocítica aquelas que estão dentro do valor de normalidade do VCM, microcíticas aquelas abaixo de 80 fl e macrocícitas as acima de 100 fl.

·         Microcíticas: anemia ferropriva (a mais comum de todas), hemoglobinopatias (talassemia, hemoglobinopatia C, hemoglobinopatia E), secundárias a algumas doenças crônicas, anemia sideroblástica.

·         Macrocíticas: anemia megaloblástica, anemia perniciosa, alcoolismo, devido ao uso de certos medicamentos (Metrotrexato, Zidovudina),

·         Normocítica: por perda de sangue, anemia aplásica, anemia falciforme, secundárias a doenças crónicas.

De acordo com a produção ou destruição/e ou perda das hemácias

Esta classificação depende da contagem de reticulócitos. Sinais de destruição com sinais de hemólise apresentam aumento de reticulócitos e LDH.

Diagnóstico

Hemácias

O Hemograma é o principal exame a ser realizado quando há uma suspeita de anemia. O mais importante em um hemograma, no que diz respeito a uma suspeita de anemia, é a avaliação da série vermelha (glóbulos vermelhos ou hemácias). Esta avaliação inclui a determinação do número de hemácias, hematócrito, hemoglobina, do volume corpuscular médio (volume da hemácia), hemoglobina corpuscular média (peso da hemácia) e concentração corpuscular média (concentração da hemoglobina dentro de uma hemácia). Normalmente realiza-se uma análise estatística em testes realizados em um grande grupo de indivíduos normais para se chegar aos límites estabalecidos para hemoglobina, hematócrito e número de hemácias, isto quer dizer que cada região possui um limite de normalidade. A normalidade varia de acordo com sexo, idade e etnia. A morfologia das hemácias ou estudo da sua forma ajuda a diagnosticar alguns tipos de anemias. Algumas formas só aparecem em alguns tipos de anemia.

A contagem de reticulócitos é usada para avaliar a produção de hemácias. Expresso em percentagem, o valor normal é de até 2%. Há um aumento quando ocorre uma anemia hemolítica ou após perda de sangue. Reticulócitos são hemácias imaturas e possuem resíduos de RNA em seu interior, são visualizadas ao microscópio usando-se corantes especiais.

Quando se desconhece a causa da anemia, outros exames são utilizados para ajudar no diagnósticos. A dosagem de ferritina ajuda no diagnóstico da anemia ferropriva, assim como do ferro sérico. A eletroforese de hemoglobina é usada para detectar o tipo de hemoglobinopatia que tem causa genética. A deficiência de G6PD, uma enzima, é detectada pelo teste de G6PD. Resistência Globular Osmótica (ou RGO) ajuda no diagnóstico de algumas anemias hemolíticas (esferocitose, eliptocitose). Teste de Coombs é usado para detectar se a anemia é um defeito extracorpuscular adquirido. Teste de HAM serve para detectar anemia causada pela hemoglobinúria paroxística nocturna. DHL aumentado aparece quando há hemácias lisadas, portanto em casos de hemólise.

Tratamentos

O tratamento da anemia depende da sua causa e gravidade. Em casos de suspeita de anemia, recomenda-se procurar um médico.